Matriz BCG: o que é, como funciona e exemplos práticos

Neil Patel
Co Founder of NP Digital & Owner of Ubersuggest
24 min read
matriz bcg

Se você está tentando decidir onde investir mais, o que pausar, o que escalar ou até o que cortar da sua estratégia… a matriz BCG pode ser exatamente o que você estava procurando.

Sim, eu sei: ela vem lá da escola clássica de administração.

Mas antes que você pense que é só mais um gráfico bonito de PowerPoint, deixa eu te dizer uma coisa:  a matriz BCG é uma das ferramentas mais simples e eficazes para tomar decisões estratégicas com base em dados, no lugar de achismos.

Com ela, você consegue:

  • Visualizar claramente quais produtos ou serviços merecem mais investimento;
  • Enxergar o que ainda tem potencial de crescimento (mas exige tração);
  • E, principalmente, saber o que já virou peso morto na operação.

E o melhor?

Você não precisa de BI, nem de software caríssimo.

Com uma planilha e algumas métricas bem escolhidas, já dá pra aplicar hoje  e usar os insights para ajustar o plano de marketing, defender orçamento e priorizar com segurança.

Esse artigo é um guia prático para você que precisa mostrar para a liderança onde estão as oportunidades reais; quer justificar com clareza por que um produto merece mais verba que outro ou, ainda,  quer tomar decisões que façam o marketing crescer com inteligência.

Vamos juntos aprender a usar a matriz BCG do jeito certo?

Resumindo um pouco do que vamos ver:

  • A Matriz BCG é uma ferramenta visual e estratégica que cruza crescimento de mercado com participação relativa para classificar produtos em 4 categorias;
  • Ela ajuda a decidir onde investir, manter, ajustar ou cortar — com base em dados e não em achismos;
  • Produtos são categorizados como Estrela, Vaca Leiteira, Interrogação ou Abacaxi, e cada um exige uma estratégia diferente;
  • A ferramenta pode ser aplicada com planilhas simples e serve como ponto de partida para planos de marketing mais inteligentes;
    Mesmo com o avanço da tecnologia, a Matriz BCG continua sendo uma ótima aliada para alinhar decisões entre marketing, produto e liderança.

O que é matriz BCG?

A matriz BCG é uma ferramenta desenvolvida pela consultoria Boston Consulting Group, daí a sigla do nome. Ela foi elaborada no final dos anos 60, por Bruce Henderson.

Trata-se de um gráfico que cruza participação de mercado com taxa de crescimento e, a partir disso, classifica os produtos em quatro categorias principais:

  • Estrela (star): alto crescimento, alta participação de mercado. São os campeões do momento e valem o investimento.
  • Vaca leiteira (cash cow): baixo crescimento, mas alta participação. Produtos consolidados, que geram receita estável com menos esforço.
  • Interrogação (question mark): alto crescimento, mas pouca participação. Promissores, mas ainda incertos.
  • Abacaxi (em inglês, é representado pelo cachorro): baixo crescimento, baixa participação. Produtos que consomem recursos, mas entregam pouco retorno.
matriz bcg

De decisões sobre investimentos até estratégias de marketing, essa análise permite uma gestão mais eficiente. Munido desse conhecimento, é possível assegurar a manutenção da competitividade.

A matriz BCG pode ser aplicada a fim de identificar oportunidades, reciclar o ciclo de vida de um produto e fazer sua empresa crescer!

Como funciona a matriz BCG?

Pensa comigo: você tem um portfólio cheio de produtos ou serviços. Alguns vendem bem, outros têm potencial, uns já foram melhores e alguns… só estão ali ocupando espaço no slide do planejamento. 

A matriz BCG é uma forma visual (e poderosa) de colocar cada um no lugar certo e te ajudar a decidir onde vale investir mais, o que precisa de tração e o que já pode ser repensado.

Ela funciona assim: você cruza duas variáveis principais:

  • Participação de mercado relativa: ou seja, o quanto aquele produto domina dentro do segmento;
  • Taxa de crescimento do mercado: o quanto aquele setor ou categoria está em expansão.

O cruzamento dessas duas dimensões gera quatro quadrantes; cada um com uma estratégia distinta. 

E quando você entende bem onde cada produto está, fica muito mais fácil alocar verba, ajustar campanhas, justificar decisões para a liderança e enxergar o que realmente traz resultado.

Agora, vamos olhar para cada um desses quadrantes com calma. Porque cada um pede um tipo de ação, e a última coisa que você quer é gastar energia no lugar errado, né?!

Estrelas

Aqui estão seus queridinhos!

Esses produtos ou serviços são estrelas porque brilham mesmo: estão em mercados que crescem rápido e têm alta participação de mercado. 

São os líderes do agora e, com o impulso certo, podem virar os grandes geradores de receita do futuro.

Mas tem um detalhe que muita gente esquece…  estrela também queima caixa.

Isso porque, para se manter no topo em um mercado acelerado, você precisa continuar investindo em marketing, time, estrutura e experiência. É um produto que exige muito, mas que pode devolver mais ainda se for bem nutrido.

Se você tem uma estrela no portfólio, pergunte:

  • Vale escalar mais agora ou consolidar?
  • Dá para melhorar margem sem perder tração?
  • Quais concorrentes estão tentando roubar espaço nesse mesmo mercado?

A grande jogada com as estrelas é usar dados de performance + cenário competitivo para saber a hora certa de acelerar ou preparar o terreno para virar vaca leiteira mais adiante.

E falando nela…

Vacas leiteiras

Se as estrelas pedem investimento, as vacas leiteiras entregam retorno.

Aqui estão os produtos que já conquistaram espaço e continuam gerando receita com consistência, mesmo em mercados que não crescem tanto. 

São os campeões de margem, os que sustentam a operação e bancam boa parte do marketing da empresa.

E sabe qual é o erro mais comum? Ignorar essas vacas achando que já deram tudo o que tinham pra dar!

Produto consolidado não é sinônimo de produto eterno. A concorrência muda, o comportamento do cliente muda, o canal de aquisição muda. 

E se você não olhar com carinho para suas vacas leiteiras, pode ver a curva de faturamento virar ladeira.

Então, o que fazer com elas?

  • Otimizar sem mexer demais: ajuste pequenos pontos que tragam ganho rápido (como um novo canal de venda, uma campanha de reativação, um upgrade de posicionamento);
    Evite o desgaste prematuro: não exagere em promoções só para bater meta. Prefira valor;
  • Use os dados como radar: observe se a rentabilidade está caindo ou se ainda tem gordura para trabalhar.

O melhor das vacas leiteiras é que elas te dão fôlego. E com fôlego, você consegue apostar com mais segurança nas interrogações do portfólio!

Pontos de interrogação

Essa é, de longe, a categoria que mais gera debate nas reuniões de planejamento.

Os produtos “interrogação” são aqueles que vivem num impasse: o mercado ao redor deles está crescendo, mas sua participação ainda é pequena. Eles têm potencial — mas ainda não entregaram.

E aqui entra o dilema: vale insistir com mais verba, ou é hora de cortar antes que vire prejuízo?

A resposta não é única. Mas a matriz BCG ajuda a fazer a pergunta certa: esse produto não cresceu porque não tem demanda real ou porque a execução ainda não encaixou?

É nessa hora que dados de performance, testes de canal e análise de comportamento do cliente precisam entrar na conversa.

O que observar com atenção:

  • Custo de aquisição: está muito acima da média?
  • Retenção ou recompra: quem comprou, voltou?
  • Feedbacks reais: há valor percebido ou só hype?

Se os sinais forem positivos, vale dar mais um empurrão estratégico. Pode ser uma nova campanha, um reposicionamento ou até um ajuste de oferta.

Mas se os sinais forem fracos (e constantes), talvez esse ponto de interrogação esteja mais perto de virar abacaxi do que estrela.

E já que tocamos nesse ponto… vamos falar deles?

Abacaxis

Todo mundo tem um!

Talvez você nem queira admitir, mas se olhar com atenção para seu portfólio ou sua linha de serviços, vai encontrar aquele produto que consome esforço, tempo, verba… e mal se paga.

Na matriz BCG, esse é o quadrante dos abacaxis: produtos com baixa participação de mercado e crescimento estagnado.

Eles não geram resultado, não escalam, não se sustentam — mas continuam ali, muitas vezes por apego interno, por medo de cortar ou por falta de tempo para rever estratégia.

Mas aqui vai um lembrete importante: manter um abacaxi no portfólio custa caro. 

E esse custo nem sempre aparece no financeiro, mas sim no foco perdido.

Quando você dedica energia para algo que não evolui, está deixando de investir nos produtos que realmente têm chance de performar.

O que observar:

  • O produto está defasado e não se conecta mais com o público atual?
  • O CAC é alto e a taxa de conversão baixa, mesmo após otimização?
  • Internamente, ele dá mais trabalho que retorno (suporte, logística, ajustes)?

Se a resposta for sim, talvez seja hora de desapegar.

Nem sempre “cortar” é perder, tá?

Às vezes, é ganhar clareza e abrir espaço para o que realmente pode crescer.

Limitações da Matriz BCG

Todo modelo de gerenciamento tem as suas limitações, ok?

Não é diferente com a matriz BCG. Como todas as outras ferramentas de gestão, ela deve ser usada em conjunto com outras técnicas.

Uma das maiores limitações é justamente a simplicidade da técnica.

Classificar todos os produtos em apenas quatro categorias pode ser limitante, tanto que alguns negócios possuem nuances mais complexas do que essas.

O modelo também não utiliza indicadores temporais. Isso significa que, apenas com ela, não é possível analisar o desenvolvimento de um negócio. Segmentos múltiplos de um único negócio também não são contemplados pela matriz BCG.

Existem, também, outras variáveis para indicar a posição relativa de produtos. A dimensão do mercado e as vantagens competitivas, por exemplo.

Por isso, para garantir que sua empresa está tomando as melhores decisões possíveis, use múltiplos métodos de análise.

Qual a importância da Matriz BCG para o desenvolvimento das organizações?

Como você já deve ter percebido, essa é uma ferramenta de análise poderosa. Além de facilitar a elaboração de estratégias para investimento, possibilita o mapeamento do negócio.

pessoa utilizando smartphone como fazer matriz bcg

Entender a fase em que seu produto ou negócio se encontra é essencial para o desenvolvimento. Quando o seu negócio começar a crescer, você precisará tomar uma série de decisões importantes.

Decidir onde colocar o seu esforço e dinheiro é uma das dúvidas mais frequentes – e uma das mais essenciais. Com a matriz BCG, você evita desperdiçar esses recursos com um abacaxi, por exemplo.

Todas as empresas de sucesso tem uma característica em comum: um portfólio de produtos variados. Contando com diferentes taxas de crescimento e participação no mercado, você possui mais estabilidade.

Dessa forma, mantendo uma boa cartela de interrogações, estrelas e vacas leiteiras, você se mantém no mercado. 

E identificar e se livrar de abacaxis também é essencial!

Análises de portfólio de produtos e unidades de negócios

Para utilizar a matriz BCG de forma eficiente, é preciso entender que todos os produtos e negócios possuem um ciclo de vida.

Tudo que nasce, cresce e.. morre. 

Produtos não são excluídos dessa regra. 

Então, tenha sempre em mente ao planejar o negócio:

  • Esse produto terá uma vida limitada, de duração variável;
  • As vendas passarão por diferentes estágios. Cada estágio terá seus próprios desafios e oportunidades;
  • Os lucros variam entre os estágios do ciclo de vida do produto e;
  • Estágios diferentes exigem estratégias de marketing diferentes, assim como diferentes investimentos e produção.

Vantagens e desvantagens da Matriz BCG

exemplo de matriz BCG

Se você chegou até aqui, já entendeu como a matriz BCG pode facilitar decisões difíceis. Mas, como toda ferramenta, ela não é perfeita. 

Tem pontos fortes que ajudam muito e pontos cegos que exigem cuidado.

Vamos equilibrar esse jogo?

Vantagem competitiva

A maior força da matriz BCG está na clareza estratégica que ela oferece. Em poucos minutos, você consegue enxergar o que está drenando energia e o que merece escala. 

E, principalmente, consegue ter argumentos concretos para levar à diretoria ou defender prioridades com o time.

Ela também ajuda a evitar decisões emocionais. 

Aquela campanha que “a liderança adora”, mas que mal converte? Aquela linha de produto que custa caro pra rodar, mas está no portfólio há anos? 

A matriz BCG coloca isso no gráfico e transforma achismo em dado.

Fácil implementação

Aqui não tem mistério. Você não precisa de ferramenta cara nem de time de BI.

Com uma planilha, dois indicadores simples (participação de mercado e crescimento) e um pouco de contexto, já dá pra montar sua matriz e começar a enxergar padrões invisíveis na operação.

É ideal para quem precisa tomar decisões rápidas, priorizar produtos em campanhas ou organizar o portfólio de forma mais inteligente.

Aumento na variação de produtos no mercado

Ao aplicar a matriz, você identifica quais produtos podem ser promovidos (as estrelas), quais precisam de investimento (as interrogações) e quais já podem ser descontinuados (os abacaxis).

Isso libera espaço e verba para testar novas soluções, lançar versões otimizadas ou até explorar novos segmentos. 

Resultado? 

Portfólio mais enxuto, competitivo e alinhado ao comportamento atual do mercado.

Agora, antes de sair aplicando a ferramenta para tudo, vale um alerta:

Desvantagens

A matriz BCG não mostra tudo. Ela é ótima para começar a discussão, mas não deve ser usada sozinha para decisões complexas.

Por quê?

Porque ela considera apenas dois critérios, e isso pode simplificar demais o cenário.

Nem sempre um produto com baixa participação de mercado é um abacaxi. Pode ser um nicho premium, com alta margem e grande fidelidade.

Além disso, a matriz ignora fatores como rentabilidade, posicionamento de marca, ciclo de vida do cliente e canais de distribuição. Por isso, use como ponto de partida e não como bússola única.

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Fatores externos podem afetar as análises

Outro cuidado importante: a matriz não prevê mudanças externas.

Crescimento de mercado e participação podem mudar por fatores fora do seu controle, como novas legislações, crise econômica, entrada de novos players ou até mudança de comportamento do consumidor.

Por isso, ela deve ser atualizada com frequência, sempre acompanhada de um olhar analítico e contexto atualizado.

Evolução do mercado parte essencial da matriz BCG

Um erro comum ao usar a matriz BCG é enxergar os quadrantes como retratos estáticos. 

Mas o jogo muda, e muda rápido! 

O que hoje é estrela, amanhã pode virar vaca leiteira. O que hoje parece abacaxi, pode virar interrogação com o cenário certo.

Por isso, entender o ciclo de evolução do mercado é parte essencial para usar a matriz do jeito certo. É ele que dá contexto e ajuda a prever movimentos.

A seguir, veja as quatro fases clássicas e como elas influenciam suas decisões estratégicas:

matriz bcg

Introdução

Mercados emergentes são os que ainda estão se formando. A demanda é baixa, o comportamento do consumidor é incerto, e os custos geralmente são altos.

Produtos nesse estágio costumam aparecer como interrogações na matriz: ainda não têm participação de mercado expressiva, mas estão inseridos em um contexto de potencial crescimento.

Aqui, o desafio é testar rápido, validar hipóteses e entender se vale investir para ganhar tração — ou se o custo de oportunidade é alto demais.

Crescimento

É o momento de aceleração!

A demanda aumenta, a concorrência começa a se intensificar e os consumidores passam a entender melhor a proposta de valor. Produtos posicionados aqui geralmente aparecem como estrelas: crescem rápido, consomem mais recursos, mas têm alto potencial de retorno.

Nessa fase, o foco é escalar com inteligência sem perder a eficiência operacional.

É também a hora de capturar market share antes que o mercado amadureça e a disputa fique mais acirrada.

Maturidade

O crescimento desacelera, a concorrência se estabiliza e a diferenciação passa a ser mais difícil.

Produtos nessa fase viram vacas leiteiras já consolidados, com alta participação de mercado, mas sem novas explosões de crescimento.

Eles são importantes para gerar caixa e financiar outros produtos em crescimento. Mas atenção: a vaca leiteira exige manutenção estratégica. 

Cuidar da experiência, manter branding forte e evitar erosão de margem são essenciais para que ela continue dando retorno.

Declínio

Todo produto tem fim de ciclo. 

No estágio de declínio, o mercado encolhe, a demanda cai e manter aquele produto ativo começa a pesar.

Aqui entram os abacaxis: baixo crescimento, baixa participação. Muitas vezes são mantidos por apego, por hábito ou porque “sempre foram assim”.

Mas produtos assim drenam verba, atenção e tempo que poderiam estar indo para soluções com mais potencial!

A matriz BCG, combinada com a análise de ciclo de mercado, ajuda a perceber esses sinais com antecedência e a tomar decisões sem apego, mas com critério.

Como fazer uma Matriz BCG?

como fazer uma matriz BCG

A matriz BCG não é necessariamente difícil, mas só funciona se for aplicada com método. Aqui vai o passo a passo para usar bem, sem achismo e com foco em resultado:

Passo 1 – liste seus produtos com clareza (e saiba onde você quer chegar)

Antes de tudo: a matriz BCG não é só um gráfico. É uma ferramenta para você tomar decisões mais inteligentes. E isso começa aqui: com uma lista simples, mas estratégica.

Liste seus produtos, serviços ou unidades de negócio. Pode ser o portfólio completo ou só os itens que você gerencia diretamente no marketing. O importante é ter clareza do que está em jogo.

Depois disso, responda com honestidade: qual o papel de cada um desses produtos hoje na sua estratégia?

Você quer escalar? Manter? Testar? Cortar?

É aqui que você começa a organizar o pensamento em torno das quatro ações clássicas da matriz:

  • Construir: quando o produto tem potencial, mas precisa de investimento para crescer;
  • Manter: se ele já entrega resultado sólido e constante;
  • Colher: quando o ciclo está no fim, mas ainda dá pra extrair valor;
  • Abandonar: se ele consome mais do que entrega e está na hora de sair do jogo.

Esse é o tipo de exercício que muda a maneira como você apresenta resultados para a liderança. Porque você deixa de ser a pessoa que “pede mais verba” e vira a estrategista que mostra onde faz sentido alocar.

Agora, com tudo listado, vamos desenhar o mapa.

Desenhe um gráfico simples: duas linhas, quatro quadrantes

Não precisa de ferramenta cara nem de ajuda do BI. Abra uma planilha e desenhe um gráfico de 2 eixos:

  • No eixo vertical, coloque o crescimento do mercado (de 0% a 20%);
  • No eixo horizontal, coloque a participação relativa no mercado (de 0,1x a 10x, comparando com seu maior concorrente direto).
matriz bcg

E é aí que a mágica começa: com o gráfico desenhado, você vai começar a posicionar seus produtos — e isso já te dá clareza visual sobre o que está funcionando, o que precisa de tração e o que está sugando sua energia sem retorno.

Passo 2 – organize os dados e trate cada produto como uma unidade estratégica

Agora que você já mapeou os produtos e desenhou os quadrantes, é hora de entrar nos bastidores dos números. Não adianta só intuir… você precisa olhar o que os dados dizem.

E aqui vai um conselho de quem já viu muita campanha quebrar por falta disso: quanto mais informação boa você tiver, melhor vai ser sua análise.

Então, antes de começar a posicionar seus produtos na matriz, reúna o que você tem:

  • Planilhas de vendas por produto (últimos 6 a 12 meses, de preferência);
  • Estimativas de crescimento do mercado (pode usar benchmark interno, relatório setorial, dados do time comercial ou de parceiros estratégicos);
  • Dados de participação relativa (mesmo que seja uma estimativa: quanto esse produto vende em relação ao seu principal concorrente direto?).

E aqui vai uma dica prática:

Crie uma aba para cada produto na sua planilha, ou separe por linhas com três colunas principais:

  • Nome do produto;
  • Crescimento no mercado (%);
  • Participação relativa (em relação ao concorrente direto).

Não precisa complicar: você está montando uma visão executiva, não um dashboard de BI.

Esse nível de organização já vai te ajudar a enxergar padrões. 

Às vezes, você descobre que aquele produto que vive “estourando a verba” tem, na real, crescimento baixo e pouca penetração. E aquele outro, que quase não recebe mídia, entrega resultado acima da média com pouco esforço.

Passo 3 – classifique cada produto com base em dois critérios: crescimento e participação

Agora é hora de começar a posicionar os seus produtos na matriz — e isso exige duas perguntas simples (mas poderosas):

  1. Quanto o mercado desse produto está crescendo?
  2. Qual a participação relativa dele em comparação ao principal concorrente?

Essa combinação é o coração da matriz BCG.

Vamos destrinchar isso de um jeito bem prático:

  • Se o crescimento do mercado for maior que 10%, você considera alto crescimento. Isso coloca o produto na metade de cima do gráfico.
  • Se o crescimento for menor, joga para baixo: baixo crescimento.

E sobre participação:

  • Se o seu produto vende mais que o concorrente (de 1x até 10x), você considera alta participação. Isso posiciona à esquerda da matriz.
  • Se vende menos, você posiciona à direita: baixa participação.

Com isso, já dá pra entender em qual dos 4 quadrantes ele entra.

Exemplo prático? 

Digamos que o seu Produto A está em um mercado que cresce 15% ao ano, mas vende metade do que o concorrente direto. Isso o coloca como interrogação.

Já o Produto B, em um mercado estável (5% ao ano), vende o dobro do concorrente. Esse é uma vaca leiteira!

Passo 4 – avalie a expectativa de crescimento de cada produto

Agora que você já sabe onde cada produto está na matriz, o próximo passo é olhar para frente: qual é o potencial real de crescimento de cada um deles?

Isso é essencial porque nem todo produto que está como “interrogação”, por exemplo, merece virar estrela  e nem toda estrela vai brilhar para sempre.

O que você precisa observar aqui:

  • Qual é a tendência do mercado em que esse produto está?
  • Existem barreiras de crescimento (como concorrência agressiva ou limitação de distribuição)?
  • O produto tem capacidade operacional e verba suficiente para ganhar tração?
  • O ciclo de vida do produto está em início, pico ou declínio?

Crie uma planilha separada para cada quadrante (estrela, interrogação, vaca leiteira, abacaxi). Em cada uma, liste:

  • Nome do produto;
  • Expectativa de crescimento (%);
  • Motivo para esse crescimento (ex: tendência de mercado, investimento em mídia, lançamento de nova versão);
  • Participação do produto dentro do portfólio (% de contribuição para o total).

Isso te ajuda a visualizar com clareza onde vale colocar mais energia  e onde é melhor reavaliar a aposta.

E aqui vai um insight valioso para defender orçamento: produtos com expectativa de crescimento alta e mercado aquecido podem justificar investimento agora, mesmo que ainda não tragam muito retorno. 

Já os que estão maduros, mas estáveis, podem ser mantidos com menos esforço e garantir caixa.

Passo 5 – faça a divisão dos produtos por tipo

Depois de analisar crescimento e participação de mercado, e entender o potencial de cada item, é hora de organizar a informação de forma visual e estratégica.

O objetivo aqui é ter clareza da proporção entre tipos de produto no seu portfólio. Porque uma matriz BCG sem esse olhar global é só um gráfico bonito.

O que isso significa para a sua tomada de decisão?

Saber se você está apostando demais em produtos que ainda não provaram resultado (interrogações), ou se está dependendo excessivamente das suas vacas leiteiras que podem estar perto da exaustão.

E como fazer:

  • Pegue suas planilhas dos quadrantes e calcule quantos produtos estão em cada categoria.
  • Depois, converta isso em percentuais. Exemplo:
    • 4 produtos estrela → 20%
    • 3 vacas leiteiras → 15%
    • 10 interrogações → 50%
    • 3 abacaxis → 15%

Se 50% do seu portfólio são interrogações e abacaxis, por exemplo, o risco da sua operação está alto. Você está apostando demais no que ainda é incerto ou carregando produto que só consome verba.

Já um mix equilibrado entre vacas leiteiras (que sustentam a operação) e estrelas (que impulsionam crescimento) é o sonho de qualquer liderança.

 Com essa visão, você consegue justificar ajustes de verba, reformulação de mix, decisões de descontinuidade ou até lançamento de novas frentes com muito mais argumento!

Passo 6 – planeje as estratégias de melhoria com base na matriz

Chegou a hora de transformar análise em plano! 

Aqui, você vai decidir o que cada tipo de produto precisa receber: investimento, manutenção, reformulação… ou despedida.

A lógica da matriz BCG é guiar você para tomadas de decisão que otimizem recursos e maximizem impacto.

O que fazer com cada categoria?

  • Estrelas: merecem atenção total e verba direcionada. São os produtos com mais potencial de crescimento e retorno. Aqui vale investir em mídia, expansão de canais, melhorias no produto, upsell e cross-sell. Tudo que acelere tração.
  • Vacas leiteiras: são sua base de receita. Não precisam de grandes investimentos, mas precisam de manutenção inteligente. Otimize operação, reduza custo, mantenha consistência. Não mate a vaca do leite, mas também não gaste tentando reinventar ela.
  • Interrogações: aqui você precisa decidir se vai construir ou abandonar. Vale rodar testes, pesquisas, campanhas de validação. Se o custo para tracionar for muito alto — e os sinais não forem claros — talvez seja hora de despriorizar. Mas se o produto tem sinais reais de aderência, vale pensar em ações mais ousadas.
  • Abacaxis: exigem coragem. São produtos que consomem tempo, energia e orçamento… mas entregam pouco. Avalie se há alguma forma de reposicionar, reaproveitar ou reformular. Se não, a melhor estratégia pode ser descontinuar.

 Se quiser defender essas decisões para a liderança, transforme os dados da matriz em storytelling. Mostre os “porquês”, os impactos e os próximos passos com clareza. 

Isso aumenta sua autoridade e, de quebra, sua capacidade de articulação estratégica.

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Afinal, a Matriz BCG ainda tem espaço atualmente?

matriz bcg

Sim! 

E talvez agora mais do que nunca.

Em um cenário onde todo mundo fala de IA, dados em tempo real, dashboards inteligentes e decisões preditivas, pode parecer que a Matriz BCG ficou lá no passado. 

Mas a verdade é que ela segue extremamente útil justamente por ser simples, visual e acionável.

E se você trabalha com portfólio amplo, precisa defender orçamento ou repensar prioridades de marketing e produto com frequência, ela se torna uma aliada estratégica para orientar escolhas difíceis de forma mais racional.

A grande virada é usar a Matriz BCG não como um mapa definitivo, mas como um ponto de partida. 

Um modelo para provocar discussões inteligentes, tirar do automático, e alinhar marketing, produto e liderança em torno do que realmente faz sentido continuar investindo ou não!

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Sobre Neil Patel:

Co Founder of NP Digital & Owner of Ubersuggest

Ele é o co-fundador da NP Digital. O The Wall Street Journal o considera como influenciador top na web. A Forbes diz que ele está entre os 10 melhores profissionais de marketing e a Enterpreuner Magazine diz que ele criou uma das 100 empresas mais brilhantes do mercado. O Neil é um autor best-seller do New York Times e foi reconhecido como um dos 100 melhores empreendedores até 30 anos pelo presidente Obama e como um dos 100 melhores até 35 anos pelas Nações Unidas.

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