
Imagine que o seu mercado é um grande palco. As luzes se acendem, o público está atento, e cada marca tenta atrair os olhares da plateia. Umas investem em campanhas caríssimas, outras tentam subir no tom de voz, algumas até dançam para o algoritmo ver.
Mas há algo que o público faz, silenciosamente, enquanto assiste a esse show: pesquisar. Eles digitam o nome da marca que mais chamou atenção. Procuram entender o que ela vende, o que representa e se vale a pena confiar.
É nesse instante que surge um indicador poderoso (e ainda subestimado) do quanto sua marca realmente ocupa o imaginário das pessoas: o share of search.
Enquanto o share of voice mede quem fala mais alto e o market share mede quem vende mais, o share of search mostra quem é lembrado primeiro quando o público age.
Ele traduz a curiosidade espontânea em um número. E, na prática, é o elo que conecta percepção de marca, intenção de compra e crescimento de vendas.
Se você ainda não acompanha a fatia de buscas pela sua marca em relação aos concorrentes, está deixando um indicador preditivo escapar. Um que é simples de medir, antecipa movimentos de mercado e conversa diretamente com branding, performance e receita.
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Neste guia, você vai entender o que é o share of search, como ele funciona, por que se tornou um dos principais termômetros de marca no marketing moderno e como aplicá-lo no seu negócio com ferramentas como Google Trends, SEMrush, Ahrefs, Similarweb e até dentro de marketplaces como a Amazon.
Continue lendo!
O que é share of search?
Share of search é a proporção de buscas pela sua marca em relação ao total de buscas pelas marcas do seu mercado, em um período e região definidos.
Em termos simples: se, num mês, “Marca A” tem 30 mil buscas de marca e seus três concorrentes somam 70 mil, a Marca A detém 30% de share of search (30 mil / 100 mil).
Por que isso importa? Porque o volume de buscas pela sua marca funciona como um indicador indireto (um proxy) da demanda real e do nível de consideração do público.
Em outras palavras: quando mais pessoas pesquisam espontaneamente pelo nome da sua marca, isso mostra que o interesse está crescendo.
Essas buscas refletem curiosidade, lembrança e intenção de compra — três sinais que costumam aparecer antes mesmo das vendas aumentarem.
O share of search vem se mostrando um dos melhores previsores de market share. Ou seja, ele antecipa tendências de crescimento ou retração de marca com semanas (às vezes, meses) de antecedência.
Para que serve o share of search?
O indicador ajuda a:
- Antecipar tendência de demanda: picos sustentados de busca por marca costumam preceder crescimento em vendas;
- Mensurar efeito de branding: campanhas de marca, PR e patrocínios tendem a elevar consultas de marca;
- Correlacionar mídia com negócio: compara “exposição” (SoV) com “intenção” (SoS) e receita, refinando investimentos;
- Diagnosticar competitividade: se o concorrente cresce em busca de marca após uma campanha, você enxerga cedo;
- Guiar SEO e conteúdo: períodos com share em queda exigem reforço em conteúdo, distribuição e criativos;
- Avaliar saúde de marca: quedas persistentes podem indicar perda de relevância, problema de recall ou crise.

Como medir o share of search?
Antes de medir, defina alguns princípios básicos.
Trabalhe apenas com termos que representam claramente sua marca (ex.: “Natura”, “Magalu”), aplique filtros de país e idioma e tenha atenção redobrada a nomes que podem ter mais de um significado.
Por exemplo: se você quer medir o share of search da marca Vivo, é provável que apareçam buscas relacionadas à palavra “vivo” como sinônimo de “estar vivo” — e não à operadora.
O mesmo vale para Apple, que pode se referir tanto à empresa quanto à fruta.
Nesses casos, o ideal é refinar a busca com palavras complementares que deixem claro o contexto da marca, como “Vivo operadora”, “Vivo internet” ou “Apple iPhone”.
Assim, você garante que o volume de buscas analisado realmente representa interesse na sua marca, e não em outros significados do mesmo termo.
1. Defina suas marcas e concorrentes
Comece listando quais marcas você quer comparar.
Se for uma empresa de varejo, por exemplo, pode escolher algo como:
- Magazine Luiza
- Casas Bahia
- Ponto
- Amazon
Essas serão as marcas que você vai digitar nas ferramentas de busca.
Dica: monte uma pequena planilha com o nome de cada marca e as variações que vai usar em cada ferramenta. Isso evita erros e facilita a coleta depois.
2. Escolha o período e o local
Agora defina em que janela de tempo e em qual região você quer medir.
Abra o Google Trends, digite os nomes de marca e:
- Selecione o país (ex.: Brasil);
- Escolha o período (ex.: últimos 12 meses);
- E defina a categoria (ex.: “Compras” ou “Negócios e Indústria”) para filtrar ruídos.
Você verá um gráfico de linhas mostrando o interesse de busca de cada marca ao longo do tempo (de 0 a 100).
Esse gráfico não mostra o volume exato, mas mostra a proporção entre as marcas — e é isso que você precisa.
Dica: se quiser uma análise mais detalhada, use o SEMrush ou Ahrefs para pegar os volumes mensais reais de busca.
3. Calcule o share of search
Agora vem a parte numérica, mas é bem simples.
Anote o índice de interesse (ou o volume de busca) da sua marca e dos concorrentes. Some o total de todas as marcas.
Depois, use a fórmula:
- Share of Search = (busca da sua marca /soma de todas as buscas de marca do mercado) x 100
Por exemplo: se o Google Trends mostra que “Magazine Luiza” tem índice 40, “Casas Bahia” tem 35 e “Ponto” tem 25, a soma total é 100.
O share of search da Magazine Luiza seria 40% (40 ÷ 100).
4. Acompanhe a evolução
Um número isolado não diz muito. O poder do share of search está em acompanhar a tendência ao longo do tempo.
Crie uma planilha com colunas para cada mês (ou semana) e linhas para cada marca. Alimente com os dados do Google Trends ou SEMrush e observe:
- Quando há picos (campanhas, lançamentos, crises);
- Quando o interesse cai (menos mídia, perda de relevância);
- E se a curva de buscas antecipa as vendas reais.
Em muitos casos, o aumento do share of search vem de 4 a 8 semanas antes do aumento nas vendas. Por isso ele é tão valioso como métrica preditiva!
Dica: use o Google Looker Studio ou um painel de BI para visualizar a curva mês a mês. Isso facilita identificar rupturas e correlacionar com ações de mídia.

Qual o melhor momento para medir o meu share of search?
O share of search é uma métrica viva.
Por isso, não faz sentido observá-la apenas uma vez. O ideal é acompanhar momentos estratégicos da jornada de marca, quando o comportamento do público tende a mudar.
Alguns desses momentos merecem atenção especial:
- antes, durante e depois de grandes campanhas de marca (para captar o lift de interesse gerado pela comunicação);
- ciclos sazonais como Black Friday, volta às aulas ou datas comemorativas, que concentram picos de busca;
- rebranding ou lançamentos de produto, para validar se o novo posicionamento está sendo reconhecido;
- ações de PR e influência, já que microinfluenciadores e creators de nicho costumam impulsionar buscas de marca;
- entrada em novas praças ou canais de venda, para entender a tração geográfica e medir o alcance da expansão.
Quando não devo medir?
Embora o share of search seja uma métrica poderosa, há contextos em que ele pode gerar interpretações enganosas.
Nessas situações, vale cautela ou ajustes metodológicos:
- Crises ou polêmicas: picos de busca por curiosidade ou escândalos distorcem o sinal de intenção positiva;
- Mudanças de nome sem redirecionamento de termos: o histórico de busca “quebra”;
- Homônimos fortes sem qualificadores adequados (ex.: “Vivo” sem “operadora”, “Apple” sem “iPhone”);
- Campanhas puramente de performance que não citam o nome da marca, gerando pouco impacto em buscas diretas;
- Segmentos B2B ultranichados, com volume de marca muito baixo, onde pequenas variações distorcem o gráfico.
Estratégias para aumentar o share of search
Não há mágica: share de busca cresce quando a marca se torna mais desejada e lembrada. O caminho combina branding, distribuição e experiência.
A seguir, mostro algumas estratégias para melhorar esse indicador:
- Reforce branding com narrativa consistente: campanhas que contam história (manifesto, propósito, diferenciais) e mantêm identidade visual/sonora aumentam lembrança.;
- Ative PR e social proof: matérias, premiações, parcerias e cases elevam credibilidade e alimentam curiosidade (busca pelo nome);
- Trabalhe influenciadores e creators de nicho: microinfluenciadores geram picos de intenção mais qualificados que macros em muitos setores, impactando buscas de marca.
- Sinergia entre mídia paga e orgânico: use paid para amplificar mensagens de marca (não só conversão). Garanta que criativos citem sua marca e a promessa central;
- Domine SERP de marca: estruture site, sitelinks, rich results, perfil do Google Business Profile, Wikipedia (quando aplicável) e propriedades oficiais (YouTube, LinkedIn, Instagram) para converter a busca de marca em tráfego qualificado — inclusive considerando presença em sites de pesquisa com IA, que estão ganhando relevância;
- Conteúdo “brand-led” e distribuído: páginas institucionais fortes, landing pages de linhas/produtos, hubs de conteúdo e vídeos que reforcem posicionamento.
- Experiência memorável: produto, suporte e pós-venda que viram boca a boca. A melhor mídia é o cliente falando e pesquisando sobre você;
- Marketplaces e varejo digital: em ambientes como Amazon, eleve share of search Amazon com: SEO de listagem, reviews, Subscribe & Save, Brand Store, A+ Content e Amazon Ads que nomeiam a marca.

Plataformas para medir o share of search
Existem diversas ferramentas que ajudam a acompanhar o share of search. E cada uma oferece um tipo de dado.
Algumas medem interesse relativo (como o Google Trends), outras trazem volumes absolutos de busca (como o Google Keyword Planner e o SEMrush), e há também as que mostram tráfego de marca (como Similarweb).
A seguir, veja como usar cada uma delas da forma certa.
Google Trends
O Google Trends é o ponto de partida mais simples e acessível para quem quer entender o share of search. Ele mostra o interesse de busca ao longo do tempo, de 0 a 100, para qualquer termo.
- Como usar: compare termos de marca (ex.: “sua marca” vs. “concorrente 1” vs. “concorrente 2”), selecione país, intervalo e categoria;
- O que olhar: observe o índice normalizado e calcule a proporção da sua marca em relação às demais;
- Prós: gratuito, rápido, histórico longo e com filtros por região;
- Contras: mostra índices relativos, não volumes absolutos, e exige atenção a homônimos.
Google Keyword Planner
O Keyword Planner, do Google Ads, é ideal para quem quer ver volumes mensais reais de busca e transformar esses dados em porcentagens.
- Como usar: na aba “Descobrir novas palavras-chave”, pesquise termos exatos de marca e exporte o volume médio mensal;
- O que olhar: some o volume de cada marca e aplique a fórmula do share of search;
- Prós: traz estimativas reais de volume;
- Contras: exibe faixas de volume amplas e requer conta ativa no Google Ads.
SEMrush (share of search SEMrush)
O SEMrush é uma das ferramentas mais completas para acompanhar performance de marca e comparar concorrentes, especialmente quando você quer combinar SEO, mídia paga e brand traffic.
- Como usar: acesse Keyword Overview ou Keyword Magic Tool e pesquise suas palavras-chave de marca. Em seguida, use Trends e Traffic Analytics para visualizar visibilidade e tráfego de marca;
- O que olhar: série temporal de volumes por marca e a variação percentual entre elas;
- Prós: dados detalhados e visão competitiva robusta;
- Contras: ferramenta paga e exige atenção à intenção de busca.
Ahrefs
O Ahrefs é excelente para analisar palavras-chave e menções de marca ao longo do tempo, o que ajuda a correlacionar visibilidade com interesse real do público.
- Como usar: utilize o Keywords Explorer para volumes e tendências de termos de marca; em Alerts, configure notificações de novas menções;
- O que olhar: volumes mensais e crescimento percentual de busca pela marca;
- Prós: base de dados robusta e boa identificação de variações;
- Contras: não oferece índice normalizado como o Trends e requer planilha para cálculo manual.
Similarweb
A Similarweb é uma ferramenta complementar, porque mostra o tráfego de marca que chega ao seu site, não só o volume de busca. Isso ajuda a entender quanto das pesquisas se converte em visitas reais.
- Como usar: acesse Marketing Channels > Search > Branded vs. Non-Branded para ver a participação de buscas de marca no tráfego total;
- O que olhar: a proporção de tráfego orgânico de marca em relação aos concorrentes;
- Prós: visão competitiva ampla e fácil de visualizar;
- Contras: trabalha com estimativas por painel e não substitui a medição direta de buscas.
Conclusão
O share of search é a métrica que coloca intenção real no centro da sua leitura de marca. Ele antecipa a demanda, conecta branding com performance e ajuda a enxergar antes onde investir para crescer.
Recapitulando os dois pontos-chave:
- Defina, meça e acompanhe: escolha termos de marca limpos, período e geografia claros, aplique a fórmula e monitore a tendência;
- Atue para elevar o share: invista em branding consistente, PR e influenciadores, alinhe mídia paga e orgânica e fortaleça sua presença nos buscadores e marketplaces para ampliar o reconhecimento e o interesse pela marca.
Quer transformar esse indicador em crescimento de verdade? Fale com nossos especialistas e desenhe um plano para elevar seu share de busca e sua receita.
Perguntas frequentes
O que é share of search?
É a proporção de buscas pela sua marca em relação ao total de buscas pelas marcas do seu mercado, em um período e local definidos. Funciona como um termômetro de consideração e costuma antecipar movimentos de market share.
Share of search é a mesma coisa que share of voice?
Não. Share of voice mede exposição de mídia (quem aparece mais). Share of search mede intenção ativa (quem as pessoas procuram). Idealmente, você compara ambos: quando o SoV sobe, espera-se ver o SoS subir nas semanas seguintes. Se isso não acontece, há problema de eficácia criativa/mensagens.
Qual a diferença entre share of search e market share?
Market share mede vendas. Share of search mede interesse/consideração. Em muitos setores, o SoS antecipa o market share, mas não é garantia: preço, distribuição e disponibilidade podem quebrar a correlação.
Dá para medir share of search em marketplaces (ex.: Amazon)?
Sim. No caso de marketplaces como a Amazon, o share of search funciona como um indicador interno de visibilidade da marca dentro da própria plataforma. Em vez de medir as buscas feitas no Google, você avalia quantas vezes os consumidores pesquisam sua marca diretamente na Amazon em comparação aos concorrentes da mesma categoria. Essa informação pode ser obtida em ferramentas como o Brand Analytics (para marcas com loja registrada), nos relatórios de termos de busca de campanha ou em dashboards de parceiros de mídia.