
Você pode aumentar o investimento em mídia, publicar mais conteúdo e aparecer em mais canais. Mas, em um ano eleitoral, existe uma pergunta mais importante: quanto da atenção do consumidor realmente sobra para a sua marca?
É aí que entra o share of mind.
Quando notícias, debates, polêmicas e conteúdos políticos dominam a conversa, disputar atenção pelo volume pode ser uma péssima estratégia.
Eu prefiro outro caminho: usar dados, inteligência artificial (IA) e tendências de busca para descobrir quando e onde existe espaço para a marca ser ouvida.
Neste artigo, vou mostrar como fazer isso e explicar por que, em 2026, precisão pode valer mais do que alcance.
Confira alguns pontos-chave do que você vai encontrar por aqui:
- Share of Mind é sobre ocupar espaço na mente do consumidor, não simplesmente aparecer mais;
- Em anos eleitorais, a atenção fica mais concentrada em notícias e assuntos políticos, tornando a disputa por relevância ainda mais complexa;
- IA, dados de busca e análise de tendências podem ajudar a encontrar momentos e nichos com menor ruído político;
- Share of Mind e Share of Voice são conceitos diferentes, e entender essa diferença muda a forma de planejar mídia;
- A vantagem competitiva está em identificar janelas de oportunidade antes de simplesmente aumentar o volume da comunicação.

O que é Share of Mind e por que ele cai em ano eleitoral?
Share of Mind é o espaço que uma marca ocupa na mente do consumidor em relação às suas concorrentes. É uma métrica essencial no marketing digital.
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Ela responde a uma pergunta importante: quando alguém pensa em determinada categoria ou necessidade, sua marca está entre as primeiras que vêm à cabeça?
Antes de responder, tenha em mente que isso é diferente de ser visto.
Você pode ter milhões de impressões e ainda assim ocupar pouco espaço na memória do público.
Por outro lado, uma marca que aparece no momento certo, com uma mensagem relevante, pode ser lembrada mesmo sem disputar o maior volume de mídia.
E é justamente aí que o ano eleitoral, como é o caso de 2026, complica as coisas.
O calendário da incerteza: quando a atenção política satura o mercado
Durante uma eleição, o consumidor passa a receber uma quantidade enorme de estímulos relacionados à política.
Quando o calendário político esquenta, a atenção do público é disputada por um volume enorme de notícias, debates, declarações e acontecimentos.
No Brasil, uma pesquisa da BTG-Nexus, divulgada pelo portal Terra, mostrou que 61% dos eleitores usam a internet para acompanhar a campanha eleitoral; entre jovens de 16 a 24 anos, esse percentual chega a 82%.
Para uma marca, isso cria um problema simples: a mesma audiência continua existindo, mas o contexto em que ela presta atenção mudou.
E existe ainda a pressão sobre a mídia.
Quando mais anunciantes disputam determinados espaços, a competição pelo inventário pode aumentar.
Isso significa que simplesmente colocar mais dinheiro na mídia nem sempre é a melhor resposta. Antes de comprar, mais atenção: é importante descobrir onde existe atenção disponível.
Marketing eleitoral não é sobre gritar mais alto, é sobre precisão cirúrgica
Se todo mundo aumenta o volume, aumentar o volume deixa de ser uma vantagem competitiva.
Essa é uma das principais armadilhas do marketing em períodos eleitorais: acreditar que a única maneira de compensar o ruído é aumentar frequência, orçamento ou presença.
Nem sempre.
Imagine duas marcas concorrentes.
Uma decide aumentar a exposição durante os horários de maior audiência e disputar os mesmos espaços em que o noticiário político está dominando a conversa.
A outra identifica que determinada audiência passa a consumir menos conteúdo político em determinados horários e aumenta a busca por produtos, serviços ou informações relacionadas à sua categoria.
Em vez de aparecer em todo lugar, ela escolhe onde a mensagem tem maior chance de ser percebida.
Não é difícil entender quem está fazendo melhor uso da atenção, certo?
É por isso que eu gosto tanto da ideia de precisão cirúrgica.
A estratégia não precisa ser “falar menos”. Precisa ser falar melhor, no momento certo e para a pessoa certa.
E isso exige inteligência de dados.
Como usar IA e tendências de busca para achar janelas de oportunidade?
A boa notícia é que não precisamos depender apenas de intuição para descobrir quando e onde existe uma oportunidade. Ferramentas de análise de tendências, dados de busca e IA permitem observar mudanças de comportamento praticamente em tempo real.
Eu mesmo desenvolvi o Ubersuggest, que ajuda você a analisar os termos mais pesquisados e a intenção de busca dos usuários.
Não podemos prever o futuro, mas, com o apoio dessas ferramentas, podemos identificar padrões que indiquem onde existe uma oportunidade de atenção.
Aqui, eu usaria IA para fazer algo muito mais útil: processar grandes volumes de informação, identificar padrões e acelerar a análise de cenários.
Você pode cruzar dados de tendências de busca, comportamento de audiência, histórico de campanhas, sazonalidade e conversas nas redes para descobrir onde existe demanda que ainda não está sendo disputada com tanta intensidade.
A pesquisa “Tendências de Marketing 2026”, feita pelo meu time, mostra como a distribuição das intenções de pesquisa vem mudando.
Enquanto as buscas navegacionais perderam espaço, as comerciais e transacionais avançaram, como você pode observar no gráfico abaixo.

Onde procurar horários e nichos com baixa atenção política?
Aqui está um ponto importante: não existe uma “janela de oportunidade” universal. Ela depende da audiência, do segmento e do comportamento de busca do seu público-alvo.
Para encontrá-la, a dica é analisar:
- regiões ou públicos com comportamentos diferentes;
- canais nos quais a conversa política tem menor peso;
- consultas relacionadas a problemas específicos do consumidor;
- horários em que determinadas categorias apresentam maior interesse;
- temas de busca que continuam relevantes mesmo durante picos de notícias políticas;
- períodos em que o interesse por determinados assuntos volta a crescer depois de um pico eleitoral.
O Google Trends é especialmente útil para visualizar essas oscilações e comparar termos, categorias e períodos.
Vale também se perguntar quais termos relacionados à sua marca apresentam crescimento e em quais canais seu público está mais receptivo.
Isso também conversa diretamente com sazonalidade.
Uma tendência pode criar uma janela de oportunidade que não existia algumas semanas antes.
E, em um ambiente volátil, esperar o planejamento trimestral seguinte para reagir pode significar perder essa janela.
É por isso que eu gosto de combinar dados históricos com sinais em tempo real.
Ferramentas de IA aplicadas à leitura do cenário eleitoral
A IA pode acelerar uma parte desse trabalho que antes exigia horas de análise manual.
Podemos utilizá-la para organizar grandes volumes de dados, identificar mudanças de comportamento, agrupar temas, encontrar padrões nas buscas e levantar hipóteses sobre oportunidades de comunicação.
Mas existe uma regra que eu considero fundamental: IA não substitui estratégia.
Ela ajuda a encontrar sinais, mas cabe ao time decidir quais desses sinais realmente importam para o negócio.
Isso também vale para a produção de conteúdo.
Uma tendência pode estar crescendo, mas isso não significa automaticamente que sua marca deva falar sobre ela.
Se o tema em alta é biquínis e a sua empresa atua no setor imobiliário, por exemplo, não faz sentido apostar nessa tendência, concorda?
É aqui que entram conceitos como SEO e Generative Engine Optimization (GEO).
Boas estratégias de SEO e GEO focam em construir presença relevante nos lugares onde o público pesquisa.
Share of Mind x Share of Voice: qual a diferença em período eleitoral
O Share of Voice mede quanto espaço uma marca ocupa na comunicação de determinado mercado, enquanto o Share of Mind mede quanto espaço ela ocupa na memória do consumidor.
São métricas parecidas, eu sei, mas não são iguais.
Uma marca pode ter bastante exposição e, ainda assim, pouca lembrança.
O contrário também pode acontecer: uma empresa pode ter uma presença de mídia menor, mas ser uma das primeiras marcas lembradas em sua categoria.
Percebe a diferença entre os conceitos? Olha só esse comparativo:
| Share of Voice | Share of Mind |
| Mede a presença e a exposição da marca na comunicação | Mede a lembrança e associação da marca pelos consumidores |
| Responde “quanto estamos aparecendo?” | Responde “estamos sendo lembrados?” |
| Foca em volume, exposição e presença | Foca em qualidade de atenção, percepção e memória |
| Em ano eleitoral, considera quanto espaço a marca disputa | Em ano eleitoral, considera quanto da atenção a marca realmente conquista |
E aqui está o ponto que eu considero mais importante para 2026: não adianta conquistar mais Share of Voice se o ambiente estiver tão saturado que sua mensagem não consiga conquistar Share of Mind.
Por isso, em um cenário eleitoral, a minha dica é olhar para os dois indicadores juntos.
O primeiro mostra quanto espaço você está ocupando, enquanto o segundo ajuda a entender se esse espaço está realmente apoiando a construção da autoridade da sua marca (o famoso Topical Authority).
Como a NP Digital ajuda marcas a manter o Share of Mind em ano eleitoral
Para mim, o maior erro seria tratar a eleição como uma interrupção da estratégia de marketing. Ela é uma mudança de contexto.
Na NP Digital, meu time trabalha justamente na interseção entre dados, comportamento de busca, mídia, conteúdo e tecnologia para encontrar oportunidades de crescimento.
Em um ano eleitoral, isso significa olhar além do calendário e entender o que está acontecendo com a atenção do consumidor.
Em vez de apostar tudo em uma única plataforma ou aumentar o investimento indiscriminadamente, a estratégia passa a considerar onde a atenção está acontecendo e qual papel cada canal pode desempenhar.
Isso é especialmente importante porque a jornada de descoberta está cada vez mais distribuída.
O consumidor pode encontrar a sua marca no Google, aprofundar a pesquisa no YouTube, buscar opiniões nas redes sociais e recorrer a ferramentas de IA antes de tomar uma decisão.
É aqui que entra o conceito de Search Everywhere Optimization, a base para as estratégias desenvolvidas pelo meu time de especialistas.
E eu reforço: não existe uma fórmula mágica para eliminar a incerteza de um ano eleitoral.
O que existe é a possibilidade de estar muito mais preparado para tomar decisões quando o cenário mudar.
É exatamente esse tipo de planejamento que abordamos no nosso whitepaper sobre gestão de marketing em ano eleitoral.
Baixe gratuitamente o whitepaper da NP Digital sobre gestão de marketing em ano eleitoral e veja como transformar incerteza em estratégia.
Conclusão
O consumidor não deixou de prestar atenção nas marcas porque é ano eleitoral. Ele simplesmente passou a dividir essa atenção com muito mais estímulos.
E isso muda a pergunta que os gestores precisam fazer.
Em vez de “como podemos aparecer mais?”, talvez seja melhor perguntar: “onde temos uma chance real de sermos ouvidos?”.
Essa é a diferença entre volume e precisão.
Com dados de busca, inteligência artificial, monitoramento de tendências e uma estratégia integrada de canais, é possível encontrar momentos em que a conversa política perde intensidade.
Você também consegue identificar demandas que continuam existindo e, a partir disso, entender como posicionar a sua marca de maneira mais relevante.
No fim, como compartilhei neste conteúdo, Share of Mind não é uma disputa para falar mais alto. É uma disputa para ser lembrado quando realmente importa.
E, em um ano eleitoral, essa lembrança pode valer muito.
Perguntas frequentes
Como saber se minha marca perdeu Share of Mind na eleição?
Observe sinais como queda nas buscas pela marca, redução de menções e mudanças na lembrança espontânea em pesquisas.
Também vale comparar esses indicadores com concorrentes e períodos anteriores, lembrando que a perda de Share of Mind pode acontecer mesmo quando o volume de mídia permanece estável.
Share of Mind e Share of Voice são a mesma coisa?
Não. Share of Voice representa o volume de exposição ou presença da marca em relação aos concorrentes. Share of Mind está relacionado à lembrança e ao espaço que a marca ocupa na percepção do consumidor.
Como aumentar o Share of Mind da minha marca em ano eleitoral?
A dica é priorizar relevância em vez de volume. Analise tendências de busca, comportamento da audiência e contexto para identificar oportunidades de atenção.
Depois, distribua uma mensagem consistente pelos canais mais relevantes e acompanhe indicadores de lembrança, buscas pela marca, menções e presença digital.