Clickbait: Uma Estratégia Perigosa Que Deve Ser Evitada

teclado de computaor com tecla clickbait

Chocante: eles usaram clickbait no marketing e você não vai acreditar no que aconteceu.”

Esse é um bom exemplo de clickbait: um título sensacionalista que atrai cliques de curiosos a qualquer custo.

O problema é que o custo pode ser a credibilidade e a audiência do seu blog, site ou página de rede social.

Isso porque o clickbait é uma estratégia polêmica, e quem usa não costuma ter uma boa reputação – nem com os usuários, nem com plataformas como o Facebook.

É fácil entender o motivo: ninguém gosta de se deparar com um conteúdo raso e se sentir enganado pelo título.

Por isso, vou mostrar para você como funciona o clickbait e por que eu não recomendo essa estratégia.

Depois deste texto, você estará vacinado contra o caça-clique e poderá criar títulos que conquistam a atenção do usuário e entregam o que prometem.

O que é clickbait?

ilustração de cursores como peixes e anzol

Clickbait é uma estratégia de divulgação online que usa títulos sensacionalistas para gerar mais cliques no conteúdo.

O termo em inglês significa “isca de cliques”, também traduzido como “caça-cliques”.

Com certeza, você já se deparou com títulos do tipo “Você não vai acreditar no que ela fez em seguida” e “Exclusivo: a verdade chocante sobre a espionagem norte-americana”.

Via de regra, são títulos exagerados com forte senso de urgência, seguidos de um conteúdo raso.

Obviamente, o objetivo central desses conteúdos é gerar cliques e alavancar a receita da publicidade online.

Muitas vezes, o título alarmante é acompanhado de uma imagem polêmica, para explorar ao máximo a curiosidade do leitor.

O que acontece na prática?

desktop com imagem na tela clickbait

Na prática, o clickbait costuma gerar o efeito “propaganda enganosa”.

Basicamente, você clica em um título polêmico esperando por respostas, mas não encontra nada do que procurava.

Isso porque os clickbaits são construídos para chocar, e o conteúdo nunca consegue entregar a promessa do título.

Por exemplo, você pode se deparar com o título “10 provas irrefutáveis de que limão com água quente cura câncer”.

Ao acessar o conteúdo, tudo o que o texto traz é uma enxurrada de pseudociência, clichês e obviedades.

Ou seja: a mesma estrutura de uma fake news.

Mas não é preciso ir tão longe para criar um clickbait.

Um título comum como “10 maneiras de ganhar dinheiro rápido na internet” pode trazer a mesma armadilha retórica, se o conteúdo não provar essa afirmação.

O resultado é que toda a credibilidade do site vai por água abaixo quando o usuário termina de ler o texto.

Para quem está tentando construir autoridade e conquistar a confiança dos visitantes, é uma péssima ideia.

Além disso, também há o risco de atrair cliques pouco qualificados, que dificilmente se tornarão leads.

Como começou?

ilustração de laptop com o título Click na tela

As técnicas do clickbait remetem à chamada yellow press, a “imprensa marrom” que surgiu nos EUA no final do século 19.

O termo foi usado para designar o jornalismo sensacionalista, que estava espalhando manchetes duvidosas para aumentar sua circulação.

Basicamente, as publicações desses jornais exageravam os acontecimentos e não tinham compromisso com a autenticidade das notícias.

Esse é o primeiro registro histórico de uma estratégia clickbait, bem antes dos cliques serem possíveis.

Na era digital, surgiram as famosas correntes de email, que traziam a mesma lógica de títulos impressionantes para convencer o usuário a repassar o conteúdo (do contrário, teria azar por 15 anos).

Mais tarde, já nos anos 2000, tivemos os fenômenos dos virais e dos memes, que se espalharam por toda a internet.

Desde então, a caça por cliques está em blogs, emails, anúncios e todo tipo de conteúdo que você imaginar.

Hoje, sites como o BuzzFeed e Huffington Post tentam ressignificar o clickbait para provar que títulos polêmicos não indicam, necessariamente, conteúdo enganoso.

O clickbait funciona?

smartphone com imagem clickbait e anúncio clique aqui

Se você quer saber se o clickbait funciona para atrair cliques, a resposta é sim.

Prova disso é que 50% dos usuários clicam nesses conteúdos mesmo sabendo dos riscos, como mostra a pesquisa realizada na Universidade de Erlangen-Nuremberg e publicada no Bleeping Computer.

Mas se o objetivo é gerar leads, atingir seu público-alvo e construir relevância, definitivamente não funciona.

Basta pensar que todo o marketing de conteúdo é baseado na relação de confiança e entrega de conteúdo de valor ao seu cliente.

Logo, o clickbait pode até gerar uma repercussão imediata e aumentar os acessos do seu site.

Mas o custo dessa tática será muito alto, pois você pode comprometer sua imagem em longo prazo e frustrar as estratégias de marketing digital.

Por que Clickbait não é uma boa

placa com anúncio negativo sobre clickbait

O clickbait é perigoso porque arrisca sua reputação, que é preciosa no marketing digital.

De nada adianta convencer o visitante a clicar em um título se o texto vai acabar com a sua credibilidade.

Como consequência, o leitor nunca mais voltará ao seu blog e jamais será um lead ou cliente.

Cientes dessa estratégia, plataformas como o Facebook punem páginas que utilizam o clickbait em excesso.

Ou seja, além de perder credibilidade, o conteúdo também acaba perdendo acessos.

A única manobra possível é usar algumas técnicas de clickbait com moderação, entregando exatamente o que o título promete.

Você pode continuar usando títulos atrativos e impactantes, mas eles precisam ser 100% honestos, como eu vou mostrar a seguir.

Saiba a diferença entre Clickbait e Marketing de Atração

ilustração de imã com pessoas acessando laptops e smartphones

O marketing de atração, ou inbound marketing, é completamente diferente do clickbait.

A palavra-chave do inbound é relevância, que se traduz em conteúdos ricos, verdadeiramente úteis e confiáveis.

Logo, as personas são atraídas e conquistadas pela qualidade do conteúdo, dando início a um relacionamento saudável e duradouro com a empresa.

Não à toa, o inbound marketing gera três vezes mais leads do que links patrocinados, de acordo com um estudo de 2017, do Content Marketing Institute, divulgado pelo HubSpot.

Já o clickbait não tem nenhum compromisso com a veracidade ou valor do texto, pois o foco está apenas nos acessos imediatos.

Na realidade, o clickbait não é uma boa opção nem para o outbound marketing, pois prospectar clientes dessa forma é contraproducente.

Por isso, recomendo que você não misture as duas estratégias.

Como evitar cair no clickbait

ilustração do título clickbait e cursores

Para fugir do clickbait e evitar ser a próxima vítima, há vários cuidados que você pode tomar.

Aqui vão algumas dicas valiosas.

Não se deixe levar pelo teor do título

ilustração de aquário e vara de pesca pescando clicks

Quanto mais improvável e chamativo for o título, maiores são as chances de você estar diante de um clickbait.

É importante diferenciar o título persuasivo do sensacionalista: o primeiro vende uma solução possível, enquanto o segundo promete uma solução radical.

Lembre-se de que no mundo digital vale tudo para conseguir acessos.

Por isso, valorize seu clique e não se deixe levar por qualquer chamada escandalosa.

Leve a credibilidade do site em consideração

trio de garotas acessando notebook e tablet

Um dos melhores antídotos para o clickbait é checar a reputação do site ou blog que publicou o conteúdo.

Os produtores de conteúdo responsáveis não costumam arriscar seu status impecável na internet com estratégias malvistas pelo público.

No mundo online, um domínio de autoridade é um patrimônio imensurável, e qualquer erro pode ameaçar a influência conquistada ao longo de anos.

Por isso, a fonte pode ser a sua segurança na hora de decidir se clica ou não no título.

Verifique a credibilidade do autor do texto

ilustração de redator web

Outra pista importante é a credibilidade do autor do texto.

Do mesmo modo que os blogs e sites não arriscam sua relevância, o autor que tem um nome a zelar não se entrega ao clickbait.

Quando a notícia não tem créditos ou assinatura, já é passível de desconfiança.

Cheque a data da publicação

homem e mulher alegres acessando seus smartphones

Uma prática muito comum do clickbait é reciclar conteúdos antigos e apresentá-los como se fossem a “bomba” do momento.

Geralmente, os textos são ressuscitados para aproveitar alguma oportunidade do contexto atual, reinserindo a polêmica na internet.

Por isso, não se esqueça de conferir sempre a data da publicação e fazer uma busca rápida para comprovar a informação.

Em poucos segundos você pode encontrar a notícia original que gerou o clickbait e desmascarar a estratégia.

Assim, não restarão dúvidas sobre a autenticidade do conteúdo.

Separe uma opinião de um fato

garota trabalhando em computador em escritório

Essa é uma das fronteiras mais difíceis de estabelecer na internet: a diferença entre a opinião e o fato.

No jornalismo, há um compromisso com a verdade e objetividade dos fatos, ainda que seja impossível chegar à completa imparcialidade.

Se você consegue perceber as tendências ideológicas de cada veículo da imprensa, é porque sabe onde termina o fato e começam os comentários do jornalista.

Aliás, as mídias sérias fazem questão de sinalizar seus conteúdos opinativos.

O clickbait, por outro lado, não separa os acontecimentos da opinião do autor, justamente porque não está embasado em fontes confiáveis.

Esse problema não é exclusivo do clickbait, mas é agravado pela sua urgência em atrair cliques e negligência com a confiabilidade.

Logo, se você quer reconhecer de longe um clickbait, precisa aprender a identificar truques retóricos, pesquisar outras fontes e desconfiar de afirmações suspeitas.

Outra dica importante é não aceitar imediatamente o conteúdo só porque o autor tem a mesma opinião que você.

Assim como as fake news são disseminadas com essa tática de reproduzir opiniões, o clickbait também se alimenta da nossa necessidade de concordância.

Exemplos de clickbaits para não ser fisgado

ilustração de laptop com megafone e vara de pesca fisgando clickbair

Para ajudar a montar seu repertório anticlickbait, separei alguns exemplos clássicos da estratégia.

Confira as construções mais comuns desses títulos:

  • Revelado: segredo infalível está mudando vidas da noite para o dia
  • Este truque bizarro faz você emagrecer 10 kg em uma semana
  • Você não vai acreditar no que ela fez depois de descer do carro
  • O segredo para ganhar dinheiro rápido que está assustando os blogueiros
  • Famoso filma seu próprio desmaio e a reação dos amigos vai chocar você
  • Não compre um tênis antes de visitar este site
  • Ela bebeu 2 copos de suco de beterraba durante 7 dias e os resultados são inacreditáveis
  • 9 coisas que ninguém sabia sobre o presidente dos EUA: a 7ª vai explodir sua mente.

Se reconhecer alguma dessas técnicas, passe longe.

Alternativas para o clickbait

ilustração de páginas de conteúdo e homem com megafone

Não faltam alternativas para criar títulos persuasivos e atrair cliques sem apelar para o clickbait.

Afinal, a função do título é justamente oferecer um resumo do que o leitor vai encontrar e valorizar o conteúdo produzido.

Para isso, você pode utilizar várias técnicas:

  • Usar uma pergunta intrigante
  • Resumir os principais benefícios apresentados
  • Iniciar com uma palavra-chave seguida de dois pontos e uma afirmação provocativa
  • Usar as boas e velhas listas, que geram 218% mais compartilhamentos nas mídias sociais, de acordo com um estudo de 2019 da Backlinko
  • Apontar os erros mais comuns em determinado assunto
  • Recorrer a estatísticas marcantes de pesquisas
  • Utilizar quem, o quê, quando, onde e por quê
  • Priorizar palavras enérgicas e que despertam emoções
  • Criar o “guia completo” do assunto com o máximo de informações possível.

Outra questão importante é o tamanho do título, que depende da sua estratégia.

Do ponto de vista do SEO, o ideal é que não ultrapasse 60 caracteres.

Porém, se a ideia é gerar compartilhamentos nas mídias sociais, os títulos entre 8 e 14 palavras são uma boa referência, segundo o HubSpot.

Vale lembrar que você não precisa ter receio de criar títulos instigantes, que provoquem o senso de urgência nos leitores.

Afinal, é óbvio que você precisa convencer o usuário a clicar no conteúdo, e para isso deverá jogar com as palavras.

Mas a diferença do bom copywriting para o clickbait é que o texto faz jus ao título.

Ou seja: o leitor ficará 100% satisfeito com a qualidade do artigo, e seu título será visto como uma estratégia inteligente, e não uma isca de cliques qualquer.

Desde que você entregue o que prometeu, estão liberados os títulos criativos e excitantes.

Conclusão

Será que este texto cumpriu sua promessa?

Tentei mostrar por que o clickbait é uma estratégia perigosa – e que deve ser evitada.

Com tantas opções para criar títulos impactantes e conteúdos memoráveis, você não precisa jogar todo o seu esforço pelo alto e ceder à apelação.

Até porque essa estratégia pode custar sua reputação, que é muito mais valiosa do que qualquer repercussão instantânea.

Você certamente já caiu em um clickbait e sabe o tamanho da decepção.

Daqui em diante, não terá mais esse problema.

Agora quero saber a sua opinião sobre essa estratégia e sua abordagem na criação de títulos.

Responda: como você cria títulos atraentes que entregam conteúdo tão relevante quanto a atenção do usuário?

Depois, compartilhe este conteúdo para trazer mais olhares para esta polêmica.

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