Neil Patel

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Cronoanálise: O Que é, Como Surgiu e Como Fazer na Sua Empresa

análises cronológicas em empresas

Já pensou em medir o tempo e os movimentos da sua produção com a cronoanálise?

Basicamente, essa ferramenta permite que você determine quanto tempo e esforço são necessários para a execução de cada tarefa na sua empresa.

Assim, você obtém números reais para avaliar seu nível de produtividade e eficiência, ao invés de se basear somente nos indicadores tradicionais.

Como resultado, você consegue melhorar continuamente seus processos e produzir mais com menos – além de melhorar sua qualidade e eliminar desperdícios.

É isso que todos queremos, não é mesmo?

Então, siga a leitura e agregue mais essa ferramenta na sua gestão.

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O que é cronoanálise?

em que se baseia a cronoanálise

Cronoanálise é uma ferramenta avançada de qualidade que consiste no estudo de tempos e movimentos em uma linha de produção ou atividade logística, com o objetivo de otimizar processos. Sua origem é creditada a Frederick Taylor – autor das análises do tempo – e Bunker Gilbreth – responsável pelos movimentos.

Como qualquer instrumento de gestão de qualidade, a cronoanálise serve para produzir mais em menos tempo, garantindo a melhoria contínua das atividades da empresa.

Por isso, a ferramenta se tornou indispensável nas indústrias, principalmente no balanceamento da linha de produção e na cadeia logística.

A grande vantagem da cronoanálise é a possibilidade de aplicar o método em qualquer etapa do trabalho, obtendo resultados confiáveis sobre a velocidade das tarefas e movimentos realizados.

Além disso, cada esforço realizado pelos operadores pode ser mensurado individualmente, buscando a máxima precisão na avaliação do tempo.

Assim, é possível determinar a capacidade produtiva de qualquer setor ou unidade, comparar desempenhos e gerar informações essenciais à tomada de decisão da gestão.

Como surgiu a cronoanálise?

cronoanálise nas análises de performance

Dois teóricos importantes da administração foram responsáveis pela criação da cronoanálise: Frederick Taylor (1856-1915) e Frank Bunker Gilbreth (1885-1924).

Taylor era um especialista em eficiência e eficácia operacional, considerado o pai da Administração Científica, e focou seus estudos na criação de uma sequência e tempo pré-programados para a execução do trabalho.

Já Gilbreth era um engenheiro industrial aficcionado pelo estudo dos movimentos, que buscava compreender os hábitos de trabalho dos empregados das indústria para encontrar meios de aumentar sua produtividade.

Ambos uniram suas pesquisas para criar o Estudo dos Tempos e Movimentos, que deu origem ao método da cronoanálise.

Basicamente, a ideia dos teóricos é aprimorar a execução do trabalho por meio de uma análise minuciosa de esforço e tempo, dividindo todos os movimentos e prazos necessários à realização de cada tarefa ou etapa produtiva.

Taylorismo

planejamento e análises em treinamento

Para compreender mais a fundo a cronoanálise, precisamos revisitar a teoria de Taylor e seus princípios essenciais:

  • Planejamento: substituir todos os métodos improvisados ou empíricos por métodos efetivamente testados e com respaldo científico
  • Seleção/preparo: Selecionar trabalhadores de acordo com suas aptidões e competências, oferecendo o treinamento adequado para o cargo
  • Controle: supervisionar se o trabalho está sendo executado como foi orientado
  • Singularização das funções: distribuir as funções de modo que cada trabalhador seja responsável por uma única etapa do processo.

Essas foram as máximas que orientaram a implementação do taylorismo como método científico de administração das indústrias.

3 Objetivos da cronoanálise

objetivos da cronoanálise

A cronoanálise tem 3 objetivos principais nas indústrias, que resumem as razões de sua efetividade.

Conheça melhor cada um deles.

1. Aprimoramento de processos

Aprimorar processos é o objetivo central da cronoanálise, que procura alcançar o melhor resultado em menos tempo nas empresas.

Com o método, é possível descobrir qual a forma mais rápida e eficiente de executar determinada tarefa, levando em conta todas as variáveis de tempo e movimento.

Assim, os níveis de produtividade são impulsionados por processos mais rápidos, executados no tempo médio correto e com o mínimo esforço necessário para manter o padrão de qualidade desejado.

E o melhor: a cronoanálise prevê a melhoria contínua dos processos, ou seja, o aprimoramento ocorre em um ciclo ininterrupto.

2. Economia de tempo e recursos

Que empresa não quer economizar tempo e dinheiro nos seus processos?

Com a cronoanálise, você pode medir o tempo e recursos necessários para concluir cada tarefa e, com isso, eliminar qualquer desperdício ou fazer um uso mais racional da mão de obra.

Outra utilidade do método é calcular a remuneração variável de colaboradores com exatidão.

Dessa forma, a redução de custos e despesas operacionais é uma consequência natural, que reflete diretamente na margem de lucro do negócio.

3. Aumento da qualidade

Um dos pontos mais importantes sobre a cronoanálise é a priorização da qualidade.

Ou seja: não basta executar tarefas com mais rapidez e precisão, pois é preciso manter as características padronizadas do produto para satisfazer as expectativas dos clientes.

Ao aplicar a cronoanálise, você gera processos mais ágeis e, ao mesmo tempo, ganha uma qualidade superior no produto final – que certamente terá um impacto positivo nas vendas.

7 passos para fazer cronoanálise industrial na sua empresa

passos para aplicação da cronoanálise industrial

Se você quer aplicar a cronoanálise industrial na sua empresa, há alguns passos básicos para implementar a ferramenta.

Acompanhe o guia prático a seguir.

1. Defina a operação a ser medida

Qual operação você gostaria de medir e aprimorar na sua empresa?

Tradicionalmente, a cronoanálise é aplicada na linha de produção, em processos de manufatura da indústria, e também na cadeia logística.

Para que a operação possa ser medida, você deve escolher um processo que seja totalmente padronizado e essencial na criação dos seus produtos.

Por exemplo, se você tem uma fábrica de eletrodomésticos, deverá escolher uma fase mediana da montagem do produto para fazer a análise e cronometragem da tarefa.

Via de regra, o processo escolhido deve ser um dos mais importantes da produção e não pode ser automatizado – pois você vai precisar de uma pessoa para avaliar o processo.

2. Escolha o operador que participará

Depois de escolher um processo estratégico para medir, o próximo passo é selecionar o operador que vai participar da cronoanálise.

Ao mensurar o desempenho desse profissional, você estará determinando a capacidade produtiva da sua equipe de modo geral.

Por isso, é muito importante indicar um operador que tenha uma performance dentro da média, que represente a sua força de trabalho como um todo.

Afinal, não adianta escolher o funcionário que trabalha mais rápido como referência, ou você terá resultados incoerentes na cronoanálise.

Além disso, ao selecionar alguém acima da média, você corre o risco de definir metas irreais e dificílimas de alcançar para os outros colaboradores, prejudicando o engajamento de toda a equipe.

3. Prepare seus instrumentos

Para aplicar a cronoanálise, você vai precisar basicamente de um cronômetro e um meio para anotar os resultados (um caderno ou um tablet, por exemplo).

Você pode combinar um horário com o funcionário para facilitar a execução da análise, escolhendo um período no meio da jornada.

No momento da medição, o colaborador deve estar em plenas condições de saúde, no estado mais normal possível e trabalhando no seu ritmo corriqueiro.

Além disso, é importante se preparar para avaliar, no mínimo, 10 ciclos de trabalho – ou seja, 10 repetições da mesma atividade.

Por exemplo, se o processo é a instalação dos softwares de um celular após a montagem automática do hardware, você terá que medir o tempo exato de cada tarefa do operador.

Isso significa cronometrar a instalação do sistema operacional, aplicativos e outros sistemas necessários, dividindo essa etapa da produção em um passo a passo.

4. Cheque a estabilidade das medições da cronoanálise

Para ter uma amostragem confiável na cronoanálise, você precisa verificar se as medições estão se baseando em tarefas estáveis ou se há variáveis influenciando os resultados.

Por exemplo, é muito comum que o funcionário seja interrompido ou tenha que fazer pausas durante a execução, ou mesmo que ocorra um imprevisto na atividade.

Daí a importância de medir vários ciclos de trabalho e encontrar uma média do tempo real para execução, e não uma média do tempo ideal.

Nesse momento, você também pode avaliar se a quantidade de ciclos está sendo suficiente ou se é preciso realizar alguma alteração para melhorar o processo.

5. Avalie o ritmo de trabalho durante a cronoanálise e determine tolerâncias

Depois de cronometrar cada tarefa do seu processo e anotar todos os tempos, chega o momento de trabalhar com os dados que você coletou.

Nessa hora, você terá que se esforçar para avaliar os resultados com imparcialidade, tendo em mente a situação real da sua empresa, e não as metas que você quer estipular.

Para analisar o ritmo de trabalho, você deve considerar um funcionário em condições normais com o ritmo de 100%, com todas as variações para cima e para baixo durante o expediente.

Depois, precisa encontrar a média padrão e estabelecer uma taxa de tolerância para o processo analisado.

Essa taxa é uma porcentagem do tempo que será usada pelo funcionário para ir ao banheiro, tomar um café, conversar com os colegas e outras atividades normais que o afastam de suas tarefas no dia a dia.

Geralmente, esse desconto gira em torno de 10% no ritmo de trabalho de cada funcionário, mas o número adequado para a sua empresa depende de vários fatores: cultura da empresa, percepção durante a análise, área de atuação, expectativas de produção, etc.

6. Calcule o Tempo Padrão da cronoanálise

Agora sim, você está pronto para calcular o Tempo Padrão da cronoanálise e chegar aos números que tanto precisa para melhorar seus processos.

Você pode usar os tradicionais lápis e papel, mas a calculadora do smartphone é um atalho mais prático.

Primeiro, você precisa calcular o chamado “Tempo Normal”, que é a média do tempo gasto em cada fase da operação.

Supondo que você tenha analisado um processo logístico por 10 ciclos, o cálculo será baseado no tempo gasto para separar um pedido, embalar, etiquetar e enviar para a entrega, por exemplo.

Então, em tese, você só precisaria somar o tempo gasto em cada uma das tarefas e dividir pelo número total de tarefas, certo?

Quase isso, mas há um detalhe importante: esse resultado é o tempo observado, e não o real, pois não leva em conta o ritmo em que o funcionário realizou a tarefa.

Para chegar ao tempo real do processo, você precisa usar aquela porcentagem ideal de 100% do ritmo de trabalho.

Por exemplo, se o funcionário monitorado trabalhou em um ritmo de aproximadamente 90% em relação ao ideal, o Tempo Normal será dado pela fórmula:

  • Tempo Normal = Tempo Médio x Rendimento/ 100.

Supondo que o tempo médio do colaborador na operação tenha sido de 7 minutos (420 segundos) a um rendimento de 90%, a conta ficaria assim:

  • TN = 420 x 90 / 100 = 378 segundos

Logo, o Tempo Normal para a tarefa é de aproximadamente 6 minutos e 18 segundos.

Agora que você tem o TN, já pode calcular o Tempo Padrão.

Você se lembra da taxa de tolerância que definimos antes para incluir os imprevistos no cálculo?

É essa porcentagem que fará a diferença na precisão dos resultados.

Supondo que a taxa para o funcionário analisado tenha sido de 10%, como sugerido, é só fazer a regra de três básica e multiplicar o Tempo Normal pela porcentagem de tolerância para encontrar o total de tempo desperdiçado.

O cálculo é o seguinte:

  • Tempo Normal x Tolerância / 100
  • 378 x 10 /100 = 37,8 segundos.

Isso significa que 37,8 segundos foram perdidos nessa operação.

Já sabe qual é o cálculo final?

Isso mesmo, é só subtrair a tolerância do Tempo Normal para, enfim, chegar ao Tempo Padrão:

  • Tempo Padrão = Tempo Normal – Tolerância
  • TP = 378 – 37,8 = 340,2 segundos.

Ou seja: o resultado da sua cronoanálise é um Tempo Padrão para execução da tarefa de aproximadamente 5 minutos e 42 segundos.

Agora cabe a você avaliar se esse é um tempo adequado para a realização da tarefa de acordo com o esforço necessário, e se é possível reduzi-lo de alguma maneira ou melhorar o processo.

Pontos negativos da cronoanálise

pontos negativos de cronoanalise

Apesar de ser um método eficiente para definir padrões e metas de produtividade, a cronoanálise também tem seus pontos negativos e deve ser aplicada com ponderação.

Isso porque a medição do tempo e esforço exatos das tarefas deve levar em conta o fator humano, que nem sempre é totalmente contemplado pela taxa de tolerância.

Para os críticos da ferramenta, a cronoanálise pode levar à mecanização do trabalho e queda do engajamento dos colaboradores, uma vez que estabelece parâmetros com base em um único funcionário e não dá conta de todas as variáveis envolvidas em uma equipe.

Outro risco do método é acabar determinando metas ambiciosas demais, gerando ansiedade nos trabalhadores para alcançar um tempo específico.

No entanto, é possível aplicar a cronoanálise para ter uma visão mais ampla da produção, sem, necessariamente, levar os resultados ao extremo.

Conclusão

Entendeu como a cronoanálise pode ajudar você a controlar melhor o tempo e esforço da sua produção?

O importante é ter em mente o objetivo principal da ferramenta: melhorar a execução das operações e estabelecer parâmetros confiáveis.

Ao mesmo tempo, não se esqueça de que seus colaboradores têm suas necessidades e variáveis humanas, e devem ser avaliados para além dos números.

Gostou de conhecer mais um método para aumentar sua qualidade e produtividade?

Então, deixe seu comentário com insights e opiniões sobre o assunto.

Aguardo seu feedback.

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